Alterações morfológicas mais frequentes em neutrófilos  
 
Esta é a primeira de uma série de "conversas" no papel. Para tanto, sentimos a necessidade de padronização de alguns termos mais comumente utilizados nos exames hematológicos. Para começar, pensamos em um pequeno glossário sobre alterações morofológicas em neutrófilos, para depois falarmos sobre alterações numéricas.
As alterações morfológicas em neutrófilos podem ocorrer devido à liberação de toxinas bacterianas ou não bacterianas e outros produtos tóxicos de necrose tecidual, por alteração na produção destas células. A presença de bactérias no organismo freqüentemente é um estímulo intenso para a atividade neutrofílica, provocando grandes alterações na morfologia celular. Em geral, os neutrófilos em infecções bacterianas apresentam-se tóxicos, com granulação tóxica e basofilia citoplasmática, podendo haver degeneração vacuolar da célula e figuras de fagocitose. Já nos processos inflamatórios (induzidos por drogas, injúrias tissulares e outros agentes infecciosos), há liberação de mediadores químicos que provocam alteração morfológica em neutrófilos de forma mais discreta, apresentando ou granulação tóxica ou basofilia citoplasmática, em graus variados.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

As alterações mais freqüentes e suas causas estão descritas abaixo.
Hipersegmentação: núcleos com mais de 5-6 lobos. Associada com aumento do tempo de trânsito da célula na circulação (liberação de corticosteróide endógeno, hiperadrenocorticismo, administração exógena de corticosteróides e em certas doenças inflamatórias crônicas). Neutrófilos hipersegmentados também foram relatados em Poodles Toy e Miniatura com macrocitose eritrocítica congênita. Neutrófilos hipersegmentados gigantes foram observados em síndromes mielodisplásicas e em leucemia mielóide.
Hiposegmentação: núcleos com menos que 5 lobos, são neutrófilos jovens, mas não mais considerados bastonetes; já são indicativos de tendência de desvio à esquerda.
Alterações tóxicas: incluem vacuolização citoplasmática, basofilia citoplasmática, corpúsculos de Döhle e granulação tóxica.
Vacuolização citoplasmática: refere produção medular deficiente destas células, resultando em perda de granulação e integridade da membrana celular.
Basofilia citoplasmática: corresponde à maior atividade de ribossomos e ribossomos persistentes, que "tingem" o citoplasma.
Corpúsculos de Döhle: representam agregados lamelares de retículo endoplasmático rugoso retidos, que formam grânulos grosseiros basofílicos no citoplasma. São mais freqüentes em gatos.
Granulação tóxica: grânulos primários dos neutrófilos com aumento de permeabilidade aos corantes Romanowsky.
Neutrófilos gigantes: células maiores do que o normal, por alteração da produção de granulócitos, estão associadas à deficiência de vitamina B12 e ácido fólico

 
   
   
   
   
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